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segunda-feira, 23 de março de 2009

Primeiras impressões

Passei aqui rapidinho porque não consegui resistir à tentação de dividir com vocês minhas impressões sobre o show de ontem. Foram tantas as sensações, do início até o fim da noite, que eu poderia escrever páginas e páginas sem hesitar. O bom senso, no entanto, me recomenda poupá-los ao menos das considerações deste fã do Radiohead.

Basta dizer que foi um pouco sui generis testemunhar Thom Yorke requebrando as cadeiras enquanto tocávamos “Morena” na passagem de som. Ou então que cruzar com sua palidez britânica no corredor dos camarins remeteu a um pitoresco passeio pelo museu de cera; porque era realmente difícil acreditar que os caras estavam ali na sala ao lado, conferindo e-mails de porta aberta.

Quanto ao nosso show, permitam-me mais uma vez agradecer imensamente a todos que possibilitaram este inesquecível reencontro. Faltam-me palavras para descrever a emoção de tocar de novo aquelas músicas, de ouvir o coro em uníssono de nossos fãs entoando os já conhecidos versos. Adorei a experiência de tocar “Cher Antoine” pela segunda vez na vida (se alguém tiver prova de outras execuções, por favor me corrijam).

Poderia sintetizar a noite passada como um daqueles momentos em que a própria vida parece um filme, como quando assistimos quase inebriados ao desenrolar dos acontecimentos. Tudo foi perfeito, a exceção de dois pormenores: a desconfiança de que a ordem do roteiro não favoreceu algumas músicas e a chateação que foi descobrir, ao final do show, que havia uma limitação imposta ao volume de nossa apresentação, por sermos a banda de abertura. Infelizmente o fato não chega a ser novidade no Brasil quando bandas nacionais e estrangeiras dividem o mesmo palco.

Se a improvável –porém digna de elogio- pontualidade do evento desguarneceu nossa plateia, deixando a ver navios os fãs retidos pelo rush ou pelo horário de saída do trabalho, também não deve ter contribuído muito para os ânimos o volume do show, descrito por muitos como incompatível com as dimensões da Apoteose. Bom, basta torcer para que em São Paulo o fato de nossa apresentação ser transmitida pela TV comova a patrulha dos decibéis.

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